
(Fonte: dear-quotes)
(Quando começar a cantar, leia)
Estávamos ali. Eu e você. Não poderíamos adiar nem atrasar a conversa. Era para ser. Já fazia tempo e sempre desviávamos. Dessa vez não tinha escapatória. Havíamos entrado num beco sem saída. A sacada maldita que tinha apenas a função de me fazer respirar, só me deixou sem ar. Pude sentir sua boca se aproximar da minha e prendi-me pela respiração ofegante que saia dela. Você estendeu a mão convidativa indicando a dançarmos. Era para ser um pedido, mas soou como se já soubesse que eu aceitaria. Uma pergunta contraditória em silêncio. Varias frases poderiam ser ditas naquele momento, mas por que e para que interromper? Se não me falha a memória, suas mãos estavam em minha cintura. A máscara em seu rosto se cruzava entre meus olhos pecaminosos. Fechei-os e esperei ser conduzida. Eram passos que eu podia afirmar ter tocado o céu, e voltado. Repetidas vezes. Senti meu coração tremer, novamente. O ritmo acelerou. Tão distraída não percebi minha perda. O rímel borrou e a lágrima escorreu. Abri meus olhos e vi os seus cheios delas presas. Sua mão direita segurava a minha com a força de quem precisara proteger. Por que você voltou? Por que você teve de ir? E por que não disse nada? Nem um “adeus”, nem um “até mais”? Por que simplesmente… Perdeu-se? Ou fez-me me perder? Por que nos perdemos? Por quê? Era para sermos as respostas e não as perguntas. Era. Mas não somos. Somos o que por aí chamam de sem solução. O tempo nos tornou assim, ou talvez, tenhamos nos tornado dessa maneira sem precisar do tempo. A música estava para acabar, mas ainda entornava meus ouvidos e a lembrança do seu sorriso ainda embriagava meus pensamentos. Era quase fim de música, quase fim da nossa história, quase fim do que a tempos era “nós”, quase fim do que por tanto lutamos, mesmo que em momentos diferentes, mesmo que em desencontros. E ainda pior do que o nosso quase fim, era o quase fim do nosso amor. Porque eu poderia aguentar o fim, mas não o quase. Pois quem quase morreu ainda vive, e quem quase viveu, não vive mais. Fim de música. Você me desprendeu do universo paralelo e me fez voltar à realidade com apenas um “Adeus” sussurrado em meu ouvido. Eu já sabia, não sabia? Então por que fiquei tão surpresa? Ainda que o choro fosse perceptível, pude apenas recitar “Até mais”, afinal… Eu voltaria a te encontrar no lugar que você nunca se foi: Em meus sonhos.
— Bella
(Fonte: d-e-s-c-u-i-d-o-s)